Fazer a rota entre Roma e Florença direto de trem ou carro é quase um crime. Entre as duas cidades mais visitadas da Itália existe um mundo de colinas douradas, vilas medievais suspensas no tempo e paisagens que parecem pinturas renascentistas saídas de um museu. Se você tem tempo e mobilidade — idealmente um carro alugado —, conhecer as cidades entre Roma e Florença é uma das experiências mais inesquecíveis que a Itália pode oferecer.
O percurso direto entre Roma e Florença leva cerca de 3 horas de carro (271 km). Com as paradas que vou sugerir aqui, o trajeto se expande para cerca de 400 km e 7 horas de direção — sem contar o tempo em cada cidade. Vale cada minuto.
Por que ir de carro e não de trem?
O trem de alta velocidade entre Roma e Florença é rápido (1h10) e eficiente, mas ele não leva até nenhuma das joias escondidas da rota. As cidades mais bonitas do percurso — Civita di Bagnoregio, Pienza, Montalcino, San Gimignano — só são acessíveis com carro próprio ou transfer privado. Alugar um carro ao sair de Roma (ou ao chegar em Florença, devolvendo na outra cidade) é a melhor estratégia.
Dica prática: Evite dirigir no centro de Roma. Retire o carro em uma locadora próxima à saída da cidade ou no aeroporto de Fiumicino, e devolva em Florença. A maioria das locadoras aceita essa modalidade one-way com uma taxa extra.
Melhor época para fazer esse roteiro
A primavera (abril a junho) e o outono (setembro e outubro) são as épocas ideais. O clima é ameno, a paisagem da Toscana fica em seu esplendor — com girassóis, ciprestes e vinhedos coloridos — e o fluxo de turistas ainda é manejável. Julho e agosto são quentes, lotados e com preços elevados. O inverno é tranquilo, mas algumas atrações podem ter horários reduzidos.
Roteiro sugerido: Roma → Florença em 2 ou 3 dias
Se quiser aproveitar todas as paradas com calma, divida o percurso em dois ou três dias, pernoitando em Orvieto ou Siena. Veja o roteiro sugerido:
- Dia 1: Roma → Civita di Bagnoregio → Orvieto (pernoite)
- Dia 2: Orvieto → Montepulciano → Pienza → Montalcino (pernoite em Siena ou Montalcino)
- Dia 3: Siena → San Gimignano → Florença
Civita di Bagnoregio

A primeira parada da rota é também a mais surreal. Civita di Bagnoregio fica a 124 km de Roma (cerca de 1h45 de carro) e é conhecida como “la città che muore” — a cidade que morre. Fundada pelos etruscos há mais de 2.500 anos, a vila está encravada no topo de um penhasco de tufo vulcânico, cercada por um vale de argila em constante erosão. Hoje, a vila tem uma população de apenas cerca de 10 habitantes permanentes.
A única forma de chegar até lá é atravessar uma ponte de pedestres de 250 metros. Do outro lado, você entra em um vilarejo medieval praticamente intacto, com ruelas de pedra, flores nas janelas e vistas de tirar o fôlego para o Valle dei Calanchi.
O que fazer em Civita:
- Caminhar pela ponte panorâmica (a própria travessia já é a atração)
- Visitar a Igreja de San Donato, na praça central
- Conhecer o Museu Geológico e das Fraturas, que explica por que a cidade está “morrendo”
- Provar pratos típicos como pici (massa artesanal) e cogumelos porcini nos restaurantes locais
Tempo sugerido: 2 a 3 horas.
Atenção: Para entrar em Civita di Bagnoregio é necessário pagar uma taxa de entrada de €5, utilizada na manutenção da cidade. O bilhete é adquirido no guichê próximo à entrada da ponte. O estacionamento é pago: €2 pela primeira hora e €1 a cada hora adicional, ou €6 pelo dia todo.
Onde se hospedar: Há algumas pousadas charmosas dentro da própria Civita, ideais para quem quer viver o silêncio total da vila à noite. Se preferir mais opções, Bagnoregio e Orvieto (a 21 km) têm boa variedade de hotéis.
Para opções de hospedagem em Civita di Bagnoregio, clique aqui.
Orvieto

A apenas 25 km de Civita di Bagnoregio, Orvieto é uma das cidades mais fascinantes da região da Úmbria. Construída sobre um penhasco de origem vulcânica, a cidade tem origens na civilização etrusca e guarda séculos de história em cada pedra.
Uma curiosidade notável: a cidade tem uma rede de túneis subterrâneos que podem ser visitados, usados como abrigos e reservas de água durante os tempos de guerra. Para cada casa construída na superfície, há pelo menos uma gruta escavada por baixo — formando uma verdadeira cidade paralela subterrânea.
O que não perder em Orvieto:
- Duomo di Orvieto: uma das mais belas catedrais góticas da Itália, com fachada de mosaicos dourados que brilham ao sol
- Cidade subterrânea: passeio guiado pelos túneis e grutas etruscos e medievais
- Poço de São Patrício: um poço de 53 metros de profundidade com duas escadarias helicoidais independentes — uma das maravilhas de engenharia do século XVI
- Becos e ruelas do centro histórico: o verdadeiro charme da cidade
Tempo sugerido: Meio dia a um dia inteiro.
Dica: Chegue a Orvieto de carro e use o funicular para subir ao centro histórico — prático e já um passeio à parte. O estacionamento é fácil fora das muralhas.
Onde se hospedar: Orvieto tem ótima infraestrutura hoteleira para uma parada de uma noite. É um excelente ponto de base para a primeira noite do roteiro.
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Montepulciano

Saindo de Orvieto, a 72 km, você chega a Montepulciano — e já está oficialmente na Toscana. Construída no topo de uma colina, a cidade guarda entre suas ruas estreitas palácios renascentistas, igrejas medievais e belas praças. Para os fãs de cultura pop, vale mencionar que a cidade foi cenário de gravações do filme Lua Nova, da saga Crepúsculo.
Mas o grande atrativo de Montepulciano vai além do cinema: é o vinho. A região produz o Vino Nobile di Montepulciano, um dos vinhos mais respeitados da Itália, com denominação DOCG.
O que fazer:
- Visitar a Piazza Grande e o Palazzo Comunale — suba na torre para uma vista panorâmica do Val d’Orcia
- Conhecer a Cattedrale di Santa Maria Assunta e o Palazzo Contucci
- Fazer uma degustação de vinhos nas adegas instaladas em palácios históricos — algumas são gratuitas ou com custo simbólico
- Passear pelas ruas medievais ao entardecer, quando a luz é dourada e os turistas diminuem
Tempo sugerido: 3 a 4 horas.
Onde se hospedar: Há pousadas encantadoras dentro das muralhas. Para algo mais exclusivo, as quintas nos arredores oferecem experiências de agriturismo com vistas deslumbrantes do vale.
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Pienza

A apenas 16 km de Montepulciano, Pienza é uma pequena joia renascentista. A cidade ficou famosa por ser o local de nascimento do Papa Pio II, que no século XV transformou sua cidade natal em um exemplo de urbanismo renascentista — ela foi planejada por Bernardo Rossellino seguindo princípios humanistas.
Além da arquitetura impecável, Pienza é também famosa pelo queijo pecorino di Pienza, produzido com leite de ovelha da região. Não saia sem provar — e sem levar um pedaço na mala.
O que visitar:
- Piazza Pio II: considerada uma das mais belas praças renascentistas da Itália
- Duomo di Pienza e o Palazzo Piccolomini
- Torre dell’Orologio e a Porta al Prato
- As lojas de queijos e produtos locais ao longo da Via del Corso
Tempo sugerido: 2 a 3 horas.
Onde se hospedar: Pienza tem poucas opções de hospedagem dentro das muralhas, mas todas são de altíssimo charme. Reserve com bastante antecedência, especialmente em alta temporada.
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Val d’Orcia

Entre Montepulciano e Pienza se estende o Val d’Orcia, patrimônio da UNESCO e uma das paisagens mais fotografadas do mundo. Ciprestes alinhados em estradas de terra, colinas onduladas, fazendas isoladas, campos de girassóis e papoulas — é aqui que a Toscana que todo mundo imagina realmente existe.
Dica: Para as melhores fotos, venha entre maio e junho (girassóis e papoulas) ou em setembro (vindima). O amanhecer e o pôr do sol criam uma luz incomparável sobre o vale.
Montalcino

A 24 km de Pienza, Montalcino fica no alto de uma colina entre os vales do Rio Ombrone. A estrada de acesso já é um espetáculo: passa pelos vinhedos dos produtores do Brunello di Montalcino, considerado um dos melhores vinhos do mundo.
O que fazer:
- Visitar a Fortezza medieval — com uma enoteca dentro das muralhas onde você pode degustar o Brunello
- Passear pela Piazza del Popolo e conhecer o Duomo del Santissimo Salvatore
- Fazer uma visita a uma vinícola da região — várias oferecem tours e degustações
Tempo sugerido: 2 a 3 horas.
Dica de vinho: O Brunello di Montalcino DOCG é o topo da pirâmide, mas o Rosso di Montalcino (versão mais jovem e acessível) é excelente custo-benefício para experimentar o terroir da região.
Onde se hospedar: Montalcino tem pousadas encantadoras e é um ótimo ponto de base para a segunda noite do roteiro, com uma atmosfera mais tranquila que Siena.
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Siena

Construída sobre três colinas e cercada por muralhas medievais, Siena é uma das cidades mais fascinantes da Toscana. No passado, disputava com Florença o domínio comercial da região — e essa rivalidade histórica ainda é sentida no orgulho dos sienenses.
O coração da cidade é a Piazza del Campo, uma praça em forma de concha e um dos espaços urbanos mais bonitos da Europa. É lá que ocorre o famoso Palio di Siena, a corrida de cavalos mais famosa da Itália, realizada duas vezes por ano: em 2 de julho e 16 de agosto. A corrida é disputada entre os representantes das 17 contrade (bairros) da cidade, em uma tradição que remonta ao século XVII.
O que não perder:
- Piazza del Campo: admire a praça e suba na Torre del Mangia para vistas panorâmicas (atenção: são mais de 400 degraus!)
- Duomo di Siena: uma das mais impressionantes catedrais góticas da Itália, com interior em mármore branco e preto
- Museo Civico no Palazzo Pubblico: afrescos medievais que contam a história da cidade
- Libreria Piccolomini: joia escondida dentro do Duomo, com afrescos de Pinturicchio em estado perfeito
Tempo sugerido: 1 dia inteiro — ou mais, se puder.
Dica: Adquira o OPA PASS para visitar o Duomo e os monumentos associados com um único ingresso — é mais econômico e evita filas separadas. Se quiser assistir ao Palio, o acesso ao interior da Piazza del Campo é gratuito, mas é necessário chegar horas antes. Para um lugar nas arquibancadas, é preciso reservar com meses de antecedência.
Onde se hospedar: Siena é a melhor opção para pernoite no roteiro, com excelente infraestrutura hoteleira, ótima culinária e fácil acesso às demais cidades da região. Fique de 1 a 2 noites para aproveitar bem.
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San Gimignano

San Gimignano — a cidade das torres medievais
A última parada antes de Florença, a 44 km de Siena, é San Gimignano — talvez a cidade mais fotogênica de toda a Toscana. Cercada por muralhas medievais, a cidade é famosa por suas 15 torres medievais que se erguem sobre o skyline como arranha-céus do século XIII. A lógica era simples: quanto mais alta a torre, maior a riqueza e o status da família que a possuía.
San Gimignano é Patrimônio Mundial da UNESCO e merece pelo menos meio dia de exploração tranquila.
O que fazer:
- Piazza della Cisterna: o coração medieval da cidade, com seu poço central e casas de pedra
- Piazza del Duomo: com a Colegiata (Duomo) e o Palazzo del Podestà
- Subir a Torre Grossa: a mais alta das torres, com vista de 360° sobre os vinhedos e a Toscana
- Gelateria Dondoli: considerada uma das melhores gelaterie do mundo, fica na Piazza della Cisterna. Duas bolas custam em torno de €3. Não deixe de provar — é um ritual obrigatório em San Gimignano.
Tempo sugerido: 3 a 5 horas.
Rota alternativa: Entre Siena e San Gimignano, você pode pegar a SR222, conhecida como Estrada do Chianti, que atravessa a região vinícola entre as duas cidades. Cheia de vinhedos, ciprestes e paisagens de tirar o fôlego, é uma das estradas mais bonitas da Itália.
Onde se hospedar: Há opções dentro das muralhas e nas fazendas dos arredores. Se você já vai passar a última noite do roteiro aqui, pode chegar com calma à Florença no dia seguinte.
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Florença

O destino final não poderia ser mais grandioso. Florença é a capital da Toscana e do Renascimento — uma cidade que concentra mais obras de arte por metro quadrado do que qualquer outro lugar do mundo. Reserve pelo menos 3 dias para aproveitá-la.
Imperdíveis em Florença:
- Piazza del Duomo com a Catedral de Santa Maria del Fiore e o Batistério
- Ponte Vecchio: a ponte-mercado medieval sobre o Rio Arno
- Galleria degli Uffizi: um dos maiores museus de arte do mundo — reserve ingresso com antecedência
- Galleria dell’Accademia: onde está o David de Michelangelo — fila enorme sem reserva antecipada
- Piazzale Michelangelo: vista panorâmica de Florença ao entardecer
Dica: Estacionar no centro de Florença é um pesadelo e caro. Devolva o carro alugado assim que chegar — a cidade é perfeitamente acessível a pé e de transporte público. Aliás, não deixe de ler também esse post sobre as festas mais tradicionais da Toscana.
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Dicas gerais para o roteiro
Documentação: Brasileiros não precisam de visto para a Itália (até 90 dias na zona Schengen). Seguro viagem é fortemente recomendado.
Dinheiro: A maioria dos estabelecimentos aceita cartão, mas tenha sempre um pouco de euro em espécie para vilas menores como Civita e Pienza.
Reservas antecipadas: Para os principais museus de Florença (Uffizi, Accademia), reserve online com semanas de antecedência, especialmente entre maio e setembro. Para o Palio di Siena, as acomodações em julho e agosto esgotam com meses de antecedência.
Restrições de trânsito: Muitas cidades históricas têm ZTL (Zona de Tráfego Limitado) no centro. Consulte as placas e as informações da locadora — a multa pode chegar a centenas de euros.
Chianti e compras: Aproveite para comprar vinhos diretamente nas vinícolas ao longo do percurso. Os preços são bem melhores do que no Brasil, e muitos produtores fazem degustações gratuitas ou com custo simbólico.
Resumo do roteiro: cidades entre Roma e Florença
Se você está planejando a viagem pelos sonhos pela Itália, não cometa o erro de pular essa rota. As cidades entre Roma e Florença guardam o coração verdadeiro da Toscana — e é exatamente esse coração que você vai querer levar na memória para sempre.
| Cidade | Distância da anterior | Destaques |
|---|---|---|
| Civita di Bagnoregio | 124 km de Roma | Vila etrusca suspensa, ponte de pedestres |
| Orvieto | 25 km | Duomo gótico, cidade subterrânea |
| Montepulciano | 72 km | Vinho nobile, arquitetura renascentista |
| Pienza | 16 km | Urbanismo renascentista, queijo pecorino |
| Montalcino | 24 km | Brunello di Montalcino, Fortezza medieval |
| Siena | 42 km | Piazza del Campo, Palio, Duomo |
| San Gimignano | 44 km | Torres medievais, gelato Dondoli |
| Florença | ~55 km | Uffizi, David, Ponte Vecchio |
MAPA DO ROTEIRO
Por que esse roteiro é imperdível — e por que você precisa de um carro
Existem muitas formas de viajar entre Roma e Florença. Mas apenas uma delas te coloca no meio de um vale etrusco às 7h da manhã, te leva a provar o melhor vinho da Itália direto da adega e te permite parar à beira de uma estrada de ciprestes só porque a luz ficou bonita demais para ignorar.
Essa forma é de carro.
O trem conecta capitais. O carro conecta você à Itália de verdade — aquela que fica escondida no alto das colinas, que não tem estação ferroviária, que só aparece em cartão-postal e que a maioria dos turistas nunca vai ver.
Civita di Bagnoregio, Pienza, Montalcino, San Gimignano — nenhuma dessas cidades está no caminho de ninguém. Estão fora do eixo, fora do radar e exatamente por isso são inesquecíveis.
Se você vai à Itália e tem pelo menos dois dias livres entre Roma e Florença, faça esse roteiro. Sem pressa, sem excursão, sem horário fixo. Só você, a estrada e a Toscana se abrindo pela janela.
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